Hoje, depois de voltar de uma corrida (quem me conhece sabe eu curto correr), eu usei a seguinte frase pra mim "nossa, foi minha pior corrida até hoje". Durante o caminho, principalmente no início, pensava "que difícil", "não vou dar conta", "não vou conseguir", "estou ruim na corrida". A corrida é uma forma de meditação pra mim, então comecei a observar o que eu estava dizendo a mim mesma. Percebi-me desvalorizando o que eu estava fazendo. Eu estava dando o melhor de mim! Por que o melhor que podemos dar não é suficiente? Eu coloquei as músicas que eu mais gosto. A música me ajuda a distrair, por vezes canto, tento entender o idioma. Ela me ajuda a permanecer no caminho. E ainda assim, terminar um objetivo era mais importante do que viver o trajeto: aproveitar a musica, o sol suave e fresquinho, aproveitar um momento que é só eu comigo mesma. A gente foca tanto no que "tem que fazer", que esquece de observar o que está fazendo. Por fim, eu fiz o objetivo que eu pretendia? Não. Mas eu fiz alguma coisa. Autoestima é isso: você saber que nem sempre vai conseguir. Mas saber que você consegue, porque fez. Valorize seu caminho, valorize o que está fazendo, valorize os passos que já deu e os passos que está dando e, assim, prosseguir será o seu resultado.
Renato Russo
sexta-feira, 4 de novembro de 2022
terça-feira, 2 de março de 2021
Anda menina. Levanta esse rosto. Solta o cabelo. Desiste dessa mania de querer ser perfeita. Larga da culpa porque errou. Vamos. Brinca com aquelas violetas. Coloca seu vestido de flor. Dança a sua musica favorita. Arranca o sorriso do peito. Joga fora esse travesseiro manchado. Muda de perfume. Pinta a unha em casa. Vai sair com as amigas. Vai abraçar quem você tem vontade. Vai sentir o vento no rosto. Chora na chuva. Grita na boate. Liberta-se. Desfaz as amarras. Sai do casulo. Deixa o ar curar. Abre as janelas. Gasta seu dinheiro. Anda descalça. Atenda a porta descabelada e com sua roupa velha. Faz um coque. Corta o cabelo. Dorme um pouco! É Por isso é que a gente acorda. Sonha, menina. Resgata seu sonho da gaveta. Do guarda roupa. De baixo da cama. Do cofre. Das correntes. Das amarras. Olha pra ele. Ilumina esses olhos. Lava esses olhos. Lava sua alma. Lava tudo. Se lambuza de novo. Ri de si mesma! Reinicia tudo. Morre um pouco. Nasce de novo. Liga o foda-se. Pergunta "e daí?". E daí mesmo, né? A Que fim leva, afinal? Fim, final, enfim...Sempre tem outro começo mesmo, ao final...
terça-feira, 8 de dezembro de 2020
Quem estou?
Uma das coisas que têm feito parte da minha rotina ultimamente são autoavaliações: das minhas escolhas, das situações pelas quais já passei, dos ideais que eu tinha e foram desconstruídos com o tempo. Do que eu achava certo mas que na verdade não havia “errados”. Não pense que estou criticando que eu era. Na verdade, hoje, agradeço quem eu fui, pois essa pessoa me permitiu construir a história de quem escreve hoje. O destino é, na realidade, a consequência das nossas escolhas. Cada movimento que fiz, cada lágrima que chorei, cada opção que resultou em decepção, cada alegria que me permiti sentir, cada emoção que explodiu, me trouxeram aqui. Eu poderia ter feito escolhas diferentes, e ter me tornado alguém diferente. Quem eu seria? Jamais saberei. É incrível o quanto eu me achava madura na juventude, e o quanto me considero imatura hoje. Quantas convicções irrefutáveis eu tinha e acreditava que essa teimosia era que me fazia forte e sábia. Quanto mais me abri para o vazio do “eu não sei”, mais desfrutei da beleza do aprendizado. E como é difícil se desgarrar de uma crença, não? Que sensação de fracasso e humilhação é acreditar em uma coisa e, cinco minutos depois dizer “realmente estou equivocada”. Mas a leveza e a libertação de quando o fazemos é muito maior do que essas sensações mal interpretadas. Quantas vezes me feri, me culpei, me julguei e tentei me encaixar em um modelo estereotipado de formas de conduta e de interpretação da realidade. Quantas vezes tentei enfiar este ser, este corpo dentro de uma caixa em que ele não cabia, ou era tão grande que fazia tudo ser sempre distante? Quantas vezes olhei pra mim mesma no espelho e reprovei os erros que cometi e condenei as emoções incontroláveis que não consegui sufocar. Hoje converso sozinha comigo mesma, gesticulo e rio. Hoje deixo meu corpo viver as emoções sem culpa-lo por isso. É só eu. É tudo eu. É o meu corpo. E olhando ele no espelho vejo o quanto real eu sou. E me vem um estalo: quanto de história eu sou!
O quanto este corpo tão condenado um dia foi e quanto de liberdade ele conseguiu até hoje.
O corpo conta uma história na linha do tempo. Ao se olhar no espelho, qual a história que o seu corpo conta?
Somos criados para evitar a dor e, por isso, não sabemos o que fazer quando ela vem. Somos orientados a sermos exímios vencedores, mas não sabemos o que fazer quando o fracasso se prende em nossas mãos. Aprendemos que somos especiais, mas entramos em desespero quando percebemos que não sabemos o que queremos. Somos orientados a querer um monte de coisas que não sabemos de onde vem. Devemos ser tanta coisa que, com o tempo percebemos que estamos atolados em dívidas que não queríamos ter. Devemos ser melhores. Devemos ser bons. Devemos ter sucesso. Devemos ser felizes. Mas, no fundo, não fazemos ideia do que essas palavras significam. Temos milhares de opções expostas na nossa frente, mas nenhuma delas fomos nós que escolhemos. Por milhares de anos, fomos orientados a nos colocar em uma posição de superioridade e nos assustamos quando percebemos os podiums da nossa ignorância. Acreditamos que só merecemos o que é bom, mas não sabemos como sermos bons. Nos mandaram evitar a faca, o medo e a tristeza. Mas não nos ensinaram o que fazer quando os encaramos. Nos disseram que temos que correr atrás do que queremos, mas não disseram que era uma competição. Acreditamos fielmente que temos que aproveitar a vida, mas não percebemos o preço que temos que pagar. Acreditamos que somos livres, mas temos que dar nome a tudo o que fazemos. Olhamos para a vida e achamos que fazemos nossas escolhas, mas não percebemos que o que somos está catalogado em dicionários. “Quando olhamos muito tempo para o abismo e ele nos olha de volta”, percebemos que vivemos uma solidão coletiva. Aprendemos que precisamos de companhia, mas não nos ensinaram o que fazer com a gente mesmo. Nos disseram que somos predadores evoluídos, mas não disseram o que fazer quando queremos fugir. Nos fizeram acreditar que temos que dar valor a vida, mas não disseram que a morte faz parte dela.
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Perquisições do Âmago
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Dúvidas Irônicas
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Contradições
Vivemos em uma era de informação em excesso. Nosso cérebro evoluiu mais rápido que nossa alma. Não estamos maduros para lidar com a rápida transformação tecnológica. Seremos velhos arrependidos de ter gritado que e o amor e a amizade são o mais importante para o mundo mas não sussurramos ao nosso amigo e ao nosso amor que ele é o mais importante para nós. Fomos criados para acharmos que somos os melhores, que somos inteligentes, que somos especiais, que não merecemos a dor, que detemos o poder de julgar, de não saber ouvir críticas, de não pensarmos sobre quem somos mas do que precisamos ter. Geração dos que não sabem o que amam e nem o que querem amar. Eu não sou feliz todos os dias e também passo longe, mas bem longe de ser perfeita. Cometo meus erros, perco a paciência, exijo muito dos outros e de mim. O que quero, nesse mundo envolto de palavras, são atitudes. Não quero uma mensagem no whats app, quero uma ligação. Não quero um convite no facebook, quero um abraço, não quero um texto poético, quero um momento de contato face a face, não quero uma declaração de saudade, quero um recado respondido. Quero ser amada também quando não sou “amável”. Esse vínculo tecnológico ainda não me convenceu. As palavras são uma fonte profunda de intenções e auspícios. Não posso deixar que elas sejam só uma sensação, mas sim uma atitude real nesse mundo de olhares virtuais. Esqueça um pouco o teclado e dê atenção as suas mãos.


