Venho observando alguns “Pensamentos compartilhados” no facebook (e esse aqui não foge a regra). Sejam alheios, sejam os próprios. Os temas discutidos são inúmeros: o quanto as pessoas não aproveitam a vida, o quanto o corpo sarado é cultuado, o quanto as mulheres estão sobrecarregadas com as expectativas culturais, o quanto o amor está defasado. São textos interessantes. Alguns até tocam a gente. Mas quantos deles nós, de fato, tentamos praticar? Quantos deles são para inflarmos nosso ego? Quantos deles nos transformam em pessoas hipócritas e quantos deles são indiretas?
Vivemos em uma era de informação em excesso. Nosso cérebro evoluiu mais rápido que nossa alma. Não estamos maduros para lidar com a rápida transformação tecnológica. Seremos velhos arrependidos de ter gritado que e o amor e a amizade são o mais importante para o mundo mas não sussurramos ao nosso amigo e ao nosso amor que ele é o mais importante para nós. Fomos criados para acharmos que somos os melhores, que somos inteligentes, que somos especiais, que não merecemos a dor, que detemos o poder de julgar, de não saber ouvir críticas, de não pensarmos sobre quem somos mas do que precisamos ter. Geração dos que não sabem o que amam e nem o que querem amar. Eu não sou feliz todos os dias e também passo longe, mas bem longe de ser perfeita. Cometo meus erros, perco a paciência, exijo muito dos outros e de mim. O que quero, nesse mundo envolto de palavras, são atitudes. Não quero uma mensagem no whats app, quero uma ligação. Não quero um convite no facebook, quero um abraço, não quero um texto poético, quero um momento de contato face a face, não quero uma declaração de saudade, quero um recado respondido. Quero ser amada também quando não sou “amável”. Esse vínculo tecnológico ainda não me convenceu. As palavras são uma fonte profunda de intenções e auspícios. Não posso deixar que elas sejam só uma sensação, mas sim uma atitude real nesse mundo de olhares virtuais. Esqueça um pouco o teclado e dê atenção as suas mãos.
"Sexo verbal não faz meu estilo, palavras são erros e os erros são seus... Não quero lembrar que eu erro também."
Renato Russo
Renato Russo
"As palavras surgiram num sonho e eu as escrevi quando acordei, sem saber ao certo o que significavam ou a quem se aplicavam"
Neil Gaiman
quinta-feira, 30 de julho de 2015
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Cada dia que passa vejo o quanto o Brasil (mesmo sendo a
terra que eu amo) é completamente uma piada. Agora a onda da vez no Lugar que
vai sediar a Copa é o tal “rolezinho”. Que, na minha opinião, não é um assunto
tão superficial quanto se tem tratado. Concordo que o país tem problemas muito
maiores do que ficar vigiando garotos ditos “pobres” que ficam subindo escadas
rolantes ao inverso e cantando funk paulista, incomodando as classes ditas “ricas”.
A questão é toda uma relação com duas matérias que eu li. Na primeira delas, é
sobre uma crítica e uma comparação aos valores praticados aqui (Brasil) e nos
EUA. Não vou delongar porque acho que cada brasileiro que vai ler o que escrevo
sabe que os carros, os celulares, os impostos, as contas de água e energia, o
petróleo, são de valores surreais, muito além do que os EUA pagam. Certo. Mas
por que eu estou falando justamente dos EUA? Porque todo mundo sabe que eles
são os donos da maioria das marcas introduzidas no Brasil, as ditas marcas de “ricos”.
E o que isso
tem a ver com o “rolezinho”? Bom, lendo as inúmeras reportagens sobre o assunto,
vi em uma delas a seguinte descrição:
‘Ontem à tarde, na
porta de uma loja de tênis do shopping, um adolescente de 17 anos, usando boné
Quiksilver de R$ 150, cobiçava na vitrine o Mizuno Wave Prophecy 3, de R$
1.000. "Não, eu não aceito comprar um falso, pirata", garantiu.
Trabalhador em um lava-rápido,
ele ganha R$ 750 por mês, mas não se assusta com o preço. Faz parte da
ostentação. Dois seguranças em seus rádios informavam toda a movimentação do
rapaz.’
Então,
diante de todas essas colocações, eu me pergunto: O que está acontecendo com as
nossas raízes? Por que é tão importante pra esse garoto comprar uma marca que
vai muito além de seu salário? O que ele irá agregar com isso? Fazer parte
daquele grupo? Não, ele não quer ser um “boy”.
Fico
assustada em saber que, quanto mais o tempo passa, pior fica a cabeça dos
nossos jovens, que usam uma música tão impactante para fins tão supérfluos.
Preocupados em provar para a sociedade que são tão materialistas quanto eles. A
classe que deveria ser a mais oposta a esse consumismo vil e injusto é a que
mais têm o admirado pelas vitrines, tentando inseri-lo em suas vidas, em sua
cultura. As pessoas da periferia que eu julgava serem as que se lambuzavam com
as características do pais, estão se tornando um boneco de marionete nas mãos
da ilusória vitória que é a sensação de poder ser aquilo que eles mesmos negam
nas letras das musicas que cantam.
sábado, 23 de novembro de 2013
Eu não sei. Talvez eu esteja errada. Mas eu não concordo com essas definições de amor que vemos por aí. Definições criadas para, no fundo, consolar quem não foi amado. O amor assim chega a ser indiferente e frio: “ah, o amor verdadeiro deseja que o outro seja feliz, mesmo sem mim”, “o amor verdadeiro liberta” e por ai vai. Eu não concordo. O amor pra mim é mais simples que isso. Não é um sentimento divino. Não traz culpa. E assim como nós, tem seus defeitos e seus contraditórios. Sentimos ciúmes, saudade, queremos perto, queremos abraçar, cuidar, acariciar. Sua simplicidade está nisso. Está em, no fundo, querer que quem amamos fique perto de nós e não longe. Que choremos quando isso não acontece. Que fiquemos com raiva e nos revoltemos com a vida. O amor é simples. Não é religião. Não tem regra nem modo de conduta pré-definido. Não é perfeito. Não faz sentido. Não exige. Não cobra. Não julga. Simplesmente tem o mesmo cerne de quem o carrega: humanidade.
sábado, 2 de novembro de 2013
Última Carta
Hoje eu prometi que esse será o ultimo texto que eu escrevo pra você. Não por uma promessa boba, ou raiva, ou mágoa, ou seja lá o que possa ser quando nos emburramos com alguém. É porque eu realmente preciso deixar isso para trás: você e nossa história. Tenho carregado algumas lembranças pela rua afora como se fossem uma parte da roupa que uso. Olho nos lugares mais inusitados tentando te encontrar ali. Fico pensando diversas vezes no que você estará fazendo. Se você é tão feliz assim com ela. Se ainda lembra de mim ou se assusta ao me ver na rua. De vez em quando, vejo você passar no seu carro cheio de marras e orgulho. E fico pensando se você soterrou alguma lembrança nossa no seu porta-malas.
Ainda sinto reações emocionais quando te vejo ou simplesmente quando te confundo com algum cara na rua.
Ao mesmo tempo em que eu queria muito te ver, olhar nos seus olhos e sorrir, eu tenho medo da imagem que eu possa ver refletida de volta. Pela primeira vez, não faço a mínima ideia de como está sua vida. Se você, por um milagre do destino, conseguiu alinhar seus sentimentos com alguém. Assumo que isso me dói e me assusta. Por vezes sinto vontade de chorar e sair correndo esperando uma explicação para o que se deu na minha vida ao ponto de eu gostar tanto assim de você, sem sentido algum, e você se quer lembrar que eu existo. Tem dias que penso que você poderia deixá-la e voltar pra mim. Mas isso seria uma prova de que não mudou e então, não daríamos certo. Outras vezes penso que ela poderia deixá-lo pra mim. Mas eu não conseguiria viver com a insegurança. E nas duas sei que estou pensando de forma egoísta.
E assim vou percebendo, meio sem querer, meio aos trancos e barrancos, meio à força e pela goela a baixo que realmente nossa história acabou. Talvez antes que qualquer um de nós tenha percebido. Talvez aos pouquinhos em cada erro que cometemos. E como em cada fim, sempre tem alguém que vai e outro que fica juntando os restos que sobraram, não preciso dizer qual foi a minha posição nisso.
Hoje dói menos, é mais um ventinho frio diante das lembranças que eu segurei. E por ser um texto de “despedida de texto”. Vou gastar um pouco minhas linhas para eu não ter que colocar nenhum P.S no final. Então já deixo registrado que se você se casar, eu vou sentir. Se eu te ver na rua ou na festa com ela, eu vou continuar sorrindo, bebendo meus drinks, dançando e morrendo por dentro. Enquanto você viajar ou fazer um programinha bem patético no final de semana, eu vou continuar gastando meus pensamentos. Assim até acabar. Bem aos pouquinhos. Eu tenho paciência. As linhas hoje já se calaram. Um dia o coração também calará, sem precisar sequer dizer qualquer palavra de adeus.
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segunda-feira, 22 de julho de 2013
Fico espiando sua vida. Todas essas fotos felizes e sorridentes, tentando me convencer de que eu estou procurando uma prova do fim inevitável e definitivo. Mas eu sei que eu, na verdade, busco uma esperança, enferma que seja, de que ainda exista algo de mim no seu sorriso e no seu olhar. Algo que eu contraditoriamente sei que é ilusão. Então eu me corto. Estilhaço meus pulsos e peitos olhando uma vida que eu já não faço parte. Nem fiz parte. Procurando ali o momento na nossa história o qual eu excedi, ou faltei. Eu não acho. Tento me convencer a cada mão dada, a cada abraço que não sou eu quem está ali. Mas quero me enganar que é tudo passageiro. Que um dia você vai voltar pra nossa história em cacos e dizer que podemos tentar, que você vai fazer diferente. Como você sempre disse. Mas eu sei que não vai. Não vai. Não vai. Mesmo assim eu continuo olhando essas fotos que representam o que eu não sinto. O que eu nunca fui. O que eu nunca vou ser pra você.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Tudo
começou com um beijo de baixo de chuva. Foi naquele dia, que eu pude ver seus
olhos mais de perto. Tão castanhos, tão rasos. Foi bem nesse dia que eu grudei
meus braços no seu peito e ouvi seu coração. Só não sabia que ia ser tão
difícil de descolá-los de novo. Eu achei que nunca ia te amar por causa desse
seu jeito arrogante e cheio de certezas. Na verdade, eu tinha medo de te amar
por, no fundo, saber que eu não sou o tipo de mulher que você ama. Eu tinha
muito medo de sentir saudades suas. Aquela saudade meio vazia, meio sozinha.
Mas você me olhou de volta. E eu me perdi ali dentro. Eu me esqueci do perigo.
Eu montei um sonho. Ai um dia você foi embora. Você cortou nossos fios. Você se
esqueceu da gente. E eu fiquei ali, com meus sonhos ressecados, rachados. E
quando eu acreditei, que não havia volta. Você me ligou, em uma tarde qualquer.
Você olhou de novo.
Eu já não sei mais o
que fazer. Eu já tentei me mudar de cidade. Já beijei milhões de caras. Já
tentei acreditar que estava apaixonada por outro. Já tentei me reapaixonar por
um ex. Já tentei me sentir melhor sozinha. Mas, sem querer, como se fosse já
automático, ou inerente, eu te espero voltar. Mesmo repetindo no espelho
que você, dessa vez, conseguiu alguém que é melhor que eu.
Com o tempo eu comecei redirecionar meus planos. Comecei a não colocar muitas pessoas dentro dele, pra não ter que reorganizá-lo toda vez que alguém vai embora. Eu comecei a me planejar sozinha. Vez ou outra, eu coloco um corpo sem rosto, só pra saber que quem quiser estar ali, estará. Um rosto com nome demandaria instabilidade em meus planos. Realmente eu fiquei egoísta. E comecei a me amar mais e em primeiro lugar. Eu sei cada defeito meu, cada coisa que eu não sei fazer ou faço errado, mas mesmo assim, eu me escolho. E rio disso. Eu me aceito com minhas cobranças e reclamações. E isso não pesa em ninguém. Na verdade, era até leve. Leve saber que eu, em alguns dias, posso ser a pior pessoa do mundo, e ainda sim, vou me amar. Eu não vou me abandonar, nem me trocar, nem reclamar que gosto de mim, mas que não dá mais. Eu posso me amar, sem medo, porque meus defeitos não me afastaram de mim. Eu posso ficar irritada, porque ninguém vai embora. Eu posso ter planos e me colocar neles, porque eu não vou abandoná-los sozinhos.
Por isso, algumas sensações se anestesiaram. Não doem mais. Talvez um cisco de rímel nos olhos da festa de ontem. Ou um sapato apertado de mais. Mas eu nem me importo. Porque isso sara em instantes. Dói bem menos do que outros lugares onde já estiveram pessoas. Na verdade é até um alívio sentir uma etiqueta incomodando, ou uma dorzinha na perna porque dancei de mais. Porque isso, é só comigo mesma, e eu me cuido, me previno. Nada de terceiros. Mesmo porque, de repente, eu percebi que nenhum cara merece estar dentro dos meus planos. È um tanto solitário isso. Mas também, eu descobri, que não preciso mais sentir saudade, ou dor de perda. Porque a gente não perde aquilo que não tem. E não quer ter.
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