"Sexo verbal não faz meu estilo, palavras são erros e os erros são seus... Não quero lembrar que eu erro também."
Renato Russo
"As palavras surgiram num sonho e eu as escrevi quando acordei, sem saber ao certo o que significavam ou a quem se aplicavam"
Neil Gaiman

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A questão não é reatar laços que não existem mais, nem discutir inúmeras justificativas. Às vezes só queremos ouvir que estávamos enganados. Mas infelizmente nem todo mundo se importa ou se lembra, ou se preocupa em mudar alguma coisa pelo simples fato de tentar fazer a diferença como pessoa. Como pessoa mesmo! Algumas vezes o que faz falta não é o amigo, namorado ou irmão, o que mais dói é perder o ser humano que aprendemos a amar.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Prioridades

Há quem diga que se conhece uma pessoa pela forma como ela prioriza o tempo. Há quem diga...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pergunto-me porque sou tão intensa. Tenho raiva disso. Detesto quando demonstro demais o que sinto. Já tenho provas convictas de que isso nunca me fez bem. Mas eu ainda insisto em colocar uma pedra sobre o que acontece e fazer de conta que tudo é uma linda novela.
Não é!
Simplesmente não é.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Decorações de Natal



Época de Natal. Tempo em que saímos às ruas e vemos as lojas decoradas com luzes, azevinhos, meias e todos aqueles peculiares símbolos natalinos. Guirlandas na porta das casas. Árvores de natal carregadas de bolotas coloridas de diversos tamanhos, e auspiciosos presentes aos pés dos verdes pinheiros nas salas de jantar.
E de repente, frases promissoras, de congratulações, fraternidade e mais um monte de parabenizações que não usamos casualmente durante os outros 11 meses do ano.
E então, compram-se presentes, recebem-se abraços, comem-se perus nas ceias. As famílias se (re)unem, falam dos filhos, do emprego e dos planos para o próximo ano.
E... Abrem-se os presentes. E todos vão para suas casas. E dormem.
Natal.
E assim, logo depois de uma longa semana de festejos, comemorações e fogos de artifício. No segundo dia do ano, as pessoas voltam à suas vidas rotineiras. E esperam monotonamente por mais 11 meses para abraçarem, comerem juntos no jantar, trocar presentes e falar da vida.
E seguem assim, na hipocrisia natalina. Decorando suas casas como se fossem felizes e lembrassem de si mesmos o ano todo. E sorriem.
Eu me pergunto: Sorriem do que?
Na verdade, talvez o Natal seja para nos lembramos do quanto estamos sozinhos e vazios, e, ilusoriamente, enchemos nossas casas, nossas vidas, nossas cidades com decorações que nada mais são o que nos falta por dentro, durante os 11 meses do ano.
Talvez quando chega o natal, não queremos comer um peru (ao menos porque achamos “bonitinha” a musica da Sadia), mas queiramos comer 11 meses de solidão. Talvez passamos tanto tempo com pessoas desconhecidas que precisamos arrumar uma festa, com um punhado de adereços e distrações porque não sabemos mais nos comportar diante das pessoas com quem vivemos a vida inteira.
Talvez seu natal seja uma chatice. Talvez seja o dia afinal, mais vazio do ano, porque você olha para as luzes coloridas e não sabe por que elas são assim, tão coloridas.
Talvez porque você não consiga uma explicação plausível do motivo de se assar uma galinha por horas, comê-la e ir embora, depois de rir um pouco com pessoas que você deveria rir durante os outros 11 meses do ano. Mas não ri.
Quem sabe você, afinal, queria estar ao lado de outras pessoas no natal. Mas tem que ficar com aquelas mesmas de sempre, porque quem você queria estar durante a ceia, teve inexoravelmente que passar o natal com os de sempre.
Talvez o natal seja chato mesmo. Porque ninguém mudou durante o ano. Você continua brigado com aquela pessoa que queria dar um presente. Ou um abraço.
E enquanto pensa nisso,  você observa o pobre menino Jesus, novamente em sua manjedoura, em volta de animais. Seguindo a decoração “religiosamente” no 12º mês do ano. E ali está o natal. O aniversario de um garoto que carrega a responsabilidade de unir famílias (que não são as suas próprias) no aniversário dele mesmo. Aniversário este que, na realidade, nem sabe se é, levando em conta que o calendário na época era diferente. E sendo assim, todo mundo fala das benções de Deus, e do presente que vai pedir para o aniversariante dar no próximo ano. Mas não pedem nada a si mesmos, não responsabilizam a si mesmos, e se esquecem de que isso deveria ir além de decorações e expectativas.
Eu me pergunto se o menino Jesus comemora o natal, ou se ele simplesmente dorme em sua quentinha cama improvisada.
Quem sabe os animais ali ao lado do menino-Deus, comemorem o natal durante os 11 meses do ano ( pois no décimo segundo mês, são as pessoas que os comemoram  na mesa de jantar)
E, então, mais uma vez, olhando as decorações natalinas, o Presépio, os presentes, a ceia. Continuo me perguntando por que não fazemos ceias casualmente em abril, trocamos presentes em junho, abraçamos e rimos da vida com as pessoas que amamos em qualquer dia  de qualquer mês. E não deixamos o menino Jesus dormir quentinho, eternamente em sua manjedoura, durante os 365 dias do ano.

domingo, 27 de novembro de 2011

Do lado de dentro

Mais uma vez o meu poder de demonstrar o que não sinto está ativado.
Mais uma vez estou aqui, quietinha, no meu canto inaudível. Tentando mudar o mundo com palavras escritas a mão. Tentando dizer por poemas o que eu não quero dizer. Brigando comigo mesma. Meu ébrio coração abre janelas e a razão fecha as cortinas. Duas pessoas brigam... Uma sonha e a outra sarcasticamente ri. Uma pede, a outra tira. Solitariamente, discuto comigo mesma sobre as coisas que não devo acreditar. Enquanto, aguardo, esperançosa, que alguém me decifre, que alguém em algum lugar, saiba ler o que eu nem sequer escrevo. Alguém que saiba ler silêncios. Onde estará a resposta? O que será que devo fazer? Bem aqui no meu cantinho friamente quente, deliberadamente escolhido, faço de conta que sou feliz com minha razão. Confusamente discordo com algumas malditas lembranças. Mas aquela sarcástica ri. E sabe onde está o meu erro e o meu defeito. Dos perfumes inodoros. Das promessas vis. Das intenções desleais. Da saudade irresoluta. Do arrependimento inerte. E ali, timidamente, meu tolo coração tenta reviver. Em um pequeno espaço, frente os gritos frenéticos da mente, ele murmura algumas tolas lembranças que a cabeça reprime em questão de minutos.  Naquele lugar tão apertado que vem vivendo, ele pede um sorriso. Pede, silenciosamente, que não se desista dele. Pede um ato que o faça sair dali. Enquanto, a maléfica mente, sarcasticamente ri, e frisa que nada vai acontecer. Enquanto diz que o tempo que se perde por ele é mensurável. Naquele pedaço, onde tenta respirar, ele bate levemente nas paredes, pedindo liberdade e um pouco de atenção, quando aparentemente parece que não quer. Enquanto, emudecido pelas palavras improprias, implora que não se acredite nelas. E a razão, bem acima dele, sarcasticamente diz que ninguém vai se importar o suficiente. Ninguém vai se empenhar o suficiente. Porque ela o conseguiu calar. Sinto medo, porque, de repente, o menor lugar que designei pro meu ingênuo coração, parece ser maior do que tudo isso. Entre os gritos da razão, entre o medo do que não vai acontecer, entre as vontades infundadas do coração e a realidade inquestionável, uma guerra, toda aqui dentro de mim, se instala.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O  problema começa quando vc quer dividir. Dividir as horas à toa, os planos, os sonhos, as brincadeiras. Dividir as tristezas, as alegrias, qualquer merreca, qualquer bobagem. A Dividir... a si mesmo. Dividir o riso, o sorriso, o abraço, as cócegas, os suaves beliscões .Dividir a saudade.E até o pensamento.Dividir o que não quer, a ser obrigada a dividir. O problema é justamente esse, quando dividir o dinheiro, o sexo ou as baladas já são muito pouco, vc quer dividir o banal, o que vc é quando acorda, dividir sua TPM, seu mal humor, suas piadas sem fundamento, a música desafinada. Dividir a pipoca do cinema,a conta do barzinho, os amigos. Dividir a fofoca inútil que ficou sabendo. A novidade mais singela, os acontecimentos familiares bizarros. Dividir o tédio, o silêncio e o medo. Dividir o cachorro quente da esquina, a chuva, os desenhos de nuvens, as mãos dadas. Dividir as lágrimas, os problemas , as manias, o vazio. Dividir os defeitos, os erros, as brigas, o não. O problema começa quando quer dividir até a solidão.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Existe uma criança que brinca todos os dias. Com suas bonecas de pano e sua espada feita de jornal. Ela usa um vestido florido aos domingos e inventa sua vida nos castelos magníficos embaixo das mesas. Ela cavalga em seu veloz cavalo branco feito de vassoura. Seus olhos são azuis, pretos, castanhos, verdes e cinza, dependendo do tempo que faz do lado de fora. O sorriso é sempre sorriso, mas às vezes, - dependendo do tempo que faz do lado de fora -, os olhos apagam o sorriso com uma gotinha por vez. Mas o sorriso é sempre sorriso. Um dia quando lhe exclamaram:
 “- Puxa! Você tem uma espada, um cavalo e um castelo!”
Ela olhou com seus olhos de contas e disse.
“- Não! Não tenho nada. Eu gosto de ser algumas coisas.”
“- Você não tem vontade?”
“-Não. É muito chato sempre ter. Nunca se pode mudar o que tem. Mas você pode mudar o que você é.”


Não sei o que estou sentindo agora. Tenho pensado em tantas coisas ao mesmo tempo, que minha cabeça parece uma caçamba de entulhos. Lembranças entulhadas, saudades entulhadas, vazios entulhados.  Pilhas e pilhas de historias as quais não sei distinguir quais são reais e quais eu mesma inventei.




quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O olhar do menino que murmura
Em meus ouvidos canções de ninar
São pedaços de saudades
Que o tempo carrega no ventre
Germinando sorrisos nos momentos
E dando luz às pequenas lembranças
Esquecidas no quintal...
As faces em fogo, as vozes felizes
São braços despreocupados
Em carregar o peso dos sonhos
O peito que palpita sem fôlego
São relances de vida
Onde o amanhã não importa
O beijo úmido na face que
Foge em busca do infinito
São gargalhadas que denunciam
A conseqüência de amar
As mãos que apertam a ansiedade
E convidam a esperança
A dar um passeio pelo descanso
São passos que convidam o mundo a recomeçar
Os pés que percorrem o vento
São asas que aliviam o medo de ser
O olhar brejeiro que insiste
Reflete nos gestos o cerne da alma
São leis que libertam fronteiras
Pedaços de um menino que dorme
Sobre murmúrios do tempo
São lembranças que gritam
Saudades perdidas

Em canções de ninar. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Disfarce

To aqui escondidinha, no meu cantinho reservado, inócuo. Inocente e silencioso. Esperando, esperando... Esperando eu mesma voltar das montanhas e vales da mente que tripudia. Dos labirintos insolúveis dos desejos vagos e caros da alma. Esperando voltar da saudade, esperando voltar da sessão de passado que já acabou. Infância perdida. Juventude que ainda está aqui, mas mudou de residência. Esperando voltar dos anos que não tenho mais. Esperando voltar dos sonhos que não vão acontecer, ou que não devem acontecer... Esperando voltar da vontade, dos segredos que não posso contar, esperando voltar das lagrimas que não chorei. To aqui bem quietinha, escondida atrás de expressões que ninguém quer ver. Camuflada de tédio e de indiferença

domingo, 2 de outubro de 2011

Domingo quente esse... Sem sono... sem sonhos... Converso com algumas pessoas no imortal MSN. Nada de novo. Sem expectativas. As vezes parece alguém que faz uma luzinha esperançosa lá no fundo, aparecer. Mas não é mais. Desapego. Só um amante. Só a outra que no momento não tem utilidade. Não sei... mas parece que a vida das outras pessoas mudam tão rápido... Elas esquecem simplesmente... Sinto-me tão diferente. Parece que sou anormal ou piegas de mais. Nunca descobri que alguém parecesse comigo... Vejo-me com a menina das fotos solitária. Tenho sim, milhares de colegas, alguns poucos amigos. Mas em um certo momento, as fotos ficam sozinhas na calada da noite. Sempre a menina que dança a valsa. Que não tem o álbum a dois. E quanto mais o tempo passa, mais me acostumo com o vão ao lado dos braços. Parece que a solitária companhia de mim mesma, afinal, é minha alma gêmea. Meu amante é o texto nú. O sentimento é a nostalgia. Leio texto sobre "quem são os homens", "não demonstre sentimentos"... Tá bom! Esperei 25 anos para não demonstrar nada. Deve ser mesmo. Texto horrível esse. Mas meus pensamentos têm sido assim mesmo, inacabados, incoerentes, sem sequencia. As coisas vão mudar, vão melhorar... Certo. Vou continuar então, da mesma forma, sem esperar. Afinal, meu mundo piegas e excêntrico é só meu mesmo. Aqui onde vivo, ele não deve existir, e eu sou um ET que veio de lá.




"E ela valsando, só, na madrugada, se julgando amada, ao som dos bandolins"

sexta-feira, 23 de setembro de 2011


Tenho medo de não voltar. Tenho medo de não conseguir mais escrever. Tenho medo da solidão e das renúncias. O não saber o que vai acontecer me perturba. Tenho tanto medo de perder o que consegui e quem conquistei justamente por não poder tê-los escolhido.
Não aprendi a querer o que tinha, portanto não sei se vou ter o que quero. Tenho medo da derrota. Pois conseguir nem sempre significa vencer. Escolhi a distância, mas não gosto dela. Gosto da independência, mas o preço foi a saudade e a perda.
E por mais que existam as juras de saudade eterna, o utópico e sonhado espaço que com grande labuta conseguimos conquistar no coração do outro, vai ser preenchido. Não por outra pessoa, mas pelo nada mesmo, que é posterior ao que chamamos saudade.
Inevitavelmente a importância que temos na vida de quem amamos é estruturada pela presença. E, em algum lugar no tempo, nós temos que abdicar dela. Abdicar de nossos amores, de nossas amizades, de nossa família em favor de nossos sonhos, dos desejos profundos e caros da nossa alma. Um dia temos que voar. Um dia temos que abrir nossas asas e enchê-las de vento e de tempo. Um dia saímos do ninho quente. Arrancamos nossas raízes. E como dói arrancar raízes! Como dói saber que, a partir do instante de conscientização da nossas escolhas, nós perdemos coisas raras, em troca do que aparentemente seria o nada. Trocamos o seio da família, a presença dos amigos por simples solidão. Solidão que vale um sonho. Um sonho que inexplicavelmente não sabemos direito qual é.
A vontade inerente do ser humano em conhecer novas coisas, novos lugares, novas pessoas ruge dentro do peito. Ele sonha com a diversidade, e quando se vê perto de conhecer a tão sonhada liberdade, o receio percorre como que silenciosamente, cada centímetro de cada músculo. Aquele lugar que podia voltar quando tivesse medo e dormir, já não existe mais. A responsabilidade chama.
Dei-me conta de que sou adulta. Responsável por mim mesma, pelas minhas escolhas e por minhas ações. E isso também dói. E o próprio sonho dói.
A vida podia ser como nos sonhos, em que fazemos dela o que quisermos. Eu não sentiria culpa por ter fracassado e nem medo da possibilidade de não respaldar a escolha que fiz. Eu não sentiria isso que sinto agora, essa distância invencível, esse silêncio que chega a gritar nos ouvidos e essas amarras, que não me deixam com a mesma liberdade que tinha quando eu não era livre. Até a liberdade é relativa. Não posso abraçar quem eu quero, mas posso sair sem pedir para ninguém. E isso não me faz livre, não mais livre de mim mesma. Continuo, talvez até mais agora, escrava do que sou e do que não quero ser. Escrava de minhas escolhas, de minhas renúncias, de meus medos e de minha própria cobrança. Escrava da saudade e do que eu não quis perder. Escrava justamente da liberdade dos meus sonhos que custou a minha realidade.
E é disso que tenho medo: justamente de não conseguir voltar...


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

SiLênCiO

Por que essa inquietação com o silêncio? Por que escandalizar o silêncio?Como já diria uma amiga "Por que essa necessidade de gritar os pensamentos que deveriam ser somente pensamentos"... Por que essa necessidade do ser humano de falar, falar e falar... Por que o silêncio não é suficiente? O silêncio é tão calmo, firme, factual, categórico. Nele cabe o que não precisa ser dito... Nele cabe a definição de um sentimento e a dimensão do que não pode ser expresso em palavras... Se o silêncio então carrega tanta veracidade, tanto amor, tanto respeito, por que ainda insistimos em matá-lo com a aspereza das palavras?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cartas para ninguém

Queria escrever alguma coisa hoje. Na verdade, gostaria de gostar de ler o que eu escrevo. Ou então queria escrever, escrever, escrever alguma coisa que fizesse a vida mudar, o mundo mudar. Que me fizesse mudar. Escrever alguma coisa que me lavasse inteira por dentro e por fora. Mas não sei. Não consigo derrubar as amarras. Minha cabeça tenta traduzir sem êxito meu coração. E ele se sente angustiado por esse fracasso. Queria poder contar para alguém, além dos meus travesseiros. Queria mudar o passado, mudar quem eu fui. Queria ter sido melhor. Queria ser melhor. Não queria ter sido a pior. Não queria me lembrar assim. Queria que cheirasse a jasmim. Queria que meus ouvidos ouvissem o cheiro, o cheiro, o cheiro... Repugnante! Queria secar as lágrimas antes que elas molhassem os lençóis. Queria poder ter confiado. Meias palavras. Queria que isso tivesse algum efeito. Talvez até tenha. Escrever cartas públicas para ninguém ler. Ninguém lê. Não o que eu escrevo, mas o que eu quero dizer.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Nausea


Estou cansada de tanto cinismo! Dessas pessoas que camuflam, atrás de sua máscara de alma benevolente, uma postura inflexível, falsa e crítica. Sinto-me extasiada com aqueles que querem “modernizar” as relações, alegando que “hoje em dia é cada um por si”, com aqueles que fazem dos outros “experimentos”, com aqueles que se engolfam em relacionamentos de anos, sem ao menos “pensar sobre o que sentem”.
Sinto náusea quando as traições ficam banais, as mentiras são vistas como parte do cotidiano. A hipocrisia estampa a cara dos colegas de trabalho. E lealdade, o carinho, a consideração, os relacionamentos duradouros são “imposições da sociedade”. Então qual o caminho da humanidade? Egoísmo? Sexo explícito?Indiferença?
Sinto medo, então do mundo “evoluído”. Onde não se existirão vínculos, apenas orgias e jogos de relacionamentos.
Estou fadigada mesmo! Com tamanha falsidade de quem levanta testemunhos acusatórios e depois cumprimenta com abraço e cerveja no final de semana. Nojenta essa auto-falsidade.
Cansada dos políticos de sempre e de quem vota nos políticos de sempre.
Cansada das promessas de sempre.
Cansada das futilidades, dos estereótipos de beleza, da exigência de ter que estar sempre bem. Cansada de ser trocada por um corpo, de ser escolhida por um corpo. E cansada de todos que ficam presos nisso.
Falta de paciência com os que se incomodam com a felicidade alheia, com os que culpam os outros pelo que “não deu certo”. Que colocam frases de “passado é passado”, “esqueça seu passado” ou sei lá mais qual frase ridícula e imatura sobre o que não deu certo hoje. Mas fazem questão de NÂO colocar o que foi bom, e que não merece ser esquecido. Em uma relação, as RESPONSABILIDADES são MÚTUAS e divididas. Pessoas que não querem se responsabilizar pelo dano que provocam, mas se regozijam quando algo positivo acontece, atribuindo as causas a si mesmas.
Seres humanos que berram “Sou eu em primeiro lugar”, mas na verdade não existe primeiro lugar, esses mesmos SERES HUMANOS são o ÚNICO lugar. Não existe mais ninguém nesse convívio. Chega desses namoros onde cada um namora sozinho, e “foda-se” o que o outro sente “EU NAMORO SOZINHO, O QUE IMPORTA É O QUE EU QUERO”. Onde está o vínculo?
Com os que ficam inertes frente a uma injustiça, frente ao sofrimento de um amigo. Com aqueles que só enxergam injustiça quando lhes é conveniente. Com os oportunistas. Com os que são amigos por oportunismo, com os que amam oportunamente.
Cansada de ouvir todo mundo falar em amor. Mas nunca vejo ninguém amar ninguém. Casada de  poetizarem sobre amor disfarçado de indiferença. De definições sobre o que ele é. Mas desconsideram o respeito, talvez o mais simples, e pintam amor como se ele fosse paixão avassaladora.
Não quero mais essas relações em que as palavras se tornaram armas banais. Onde carinhos são ditos para não se acreditar neles. Essas relações proibidas de sonhar. Onde planos para o futuro tem que incluir somente uma pessoa. Essas relações egoístas onde ninguém se importa com ninguém. Essas relações onde se exigem compreensão e se tem em troca críticas e indiferença.

P.S.: danem-se os erros de português!

sábado, 17 de setembro de 2011

Volúpia

Quero perpetuar-me na sua pele
Feito a cicatriz dolorida
E arder no seu peito
Como se fosse um fogo inefável e doentio.
Inebriar-lhe de desejo
Num caleidoscópio de volúpia.
Quero adormecer no travesseiro
Dos seus braços,
E repousar frouxa, morta,
Murcha de cansaço e ócio
E penetrar no mais profundo cerne
Da sua alma.
Deleitar-me nos seus músculos incógnitos
E abraçar-me ao devaneio
De que o siso é conivente ao nosso desejo leviano.
Quero ser a tatuagem fria e crua,
Desenhada em carne viva
E queimar inexoravelmente no seu corpo inteiro.
Quero ser o seu sonho mais louco.
A desfaçatez frívola e sutil.
O espinho que crava na pele,
E o remédio que arranca a dor.
Preciso acreditar que tudo isso é auspicioso,
E que nosso desejo insano não é efêmero
Quero esmaecer em seu calor libidinoso,
E por um momento fugaz
Crer que não há nada mais terno
Do que me entregar às suas loucuras.
Descansar na lascívia do seu peito
E sedenta reclamar seu cheiro,
Quente, doce, vermelho, embriagante.
Quero ser a dor que bate intermitentemente
Enlouquecendo seus sentidos,
E destruindo sua sanidade.
O sangue que percorre nas suas veias
E o veneno que lhe embriaga de insensatez.
Quero ser o lânguido pesadelo
Que atormenta suas noites de sono,
E o repouso dos seus suplícios.
Quero abraçar-me na sua pele suada
E crer que em nossos corpos famintos
Só o desejo mora.
Quero ser o seu desejo deletério
E a essência da sua alma.
Quero me perpetuar na sua carne
Como a ferida profunda e eterna
Que queima, arde e alivia
Feito a dor que cicatriza...

domingo, 4 de setembro de 2011

E em uma tarde qualquer, daquelas quentes de domingo, a gente se pega a pensar no que terá sido feito de todas as outras coisas. Todas aquelas coisas que a gente sonhou um dia, que a gente viveu um dia...
Terá sido apagada assim como o vento apaga as historias na areia...
Terá sido esmigalhada assim como se tritura o trigo...
Terá sido jogada simplesmente no lixo, para amanha ir parar em um lugar onde não sabemos onde é...
Todas aquelas pequenas coisas, construídas... Dia a dia... Aqueles detalhes... Mínimos sonhos, mínimos risos, mínimas brincadeiras... que não foram vividas de um dia para o outro, mas foram adubos longos e pacientes...
O que terá sido feito de todas as outras coisas que não se acabam com o tempo, que não se jogam no lixo, nem se apagam da memória... Ou será que se apagam?
O que terá sido feito daquilo que nunca foi vivido?O que teria sido feito? Dos discos, dos pratos, do papel... O que terá sido feito do chão da casa que desmorona? O que terá sido feito do tronco da árvore que morre... O que terá sido feito da imperfeição do que foi perfeito um dia? O que terá sido feito da gente mesmo no passado? O que terá sido feito da gente mesmo amanha?
O que terá sido feito das lembranças, das coisas que mudaram de trajeto...O que terá sido feito daquilo que não podemos mais fazer... o que terá sido feito das trilhas que percorremos, e das pegadas que deixamos...
O que terá sido feito das coisas que não lembramos mais
O que terá sido feito de todas as outras coisas, que não somos mais....



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Entre mim e além de mim

As vezes me pego pensando sobre o final. O ponto. O silêncio. O Nada.
Já nascemos sabendo que vamos morrer. Que imprevisivelmente, inconstantemente, impreterivelmente vamos morrer. De uma artéria entupida. De um atropelamento. Ou de velhice mesmo. Confusamente, contraditoriamente, vamos morrer, um dia...
E então, nesse vazio, nessa noite tão cheia de ruidos silenciosos, me encontro pensando no fim... Ou na continuidade... No ponto ou nas reticencias...
Questiono qual a função da minha vida, se ela é um fim em si mesma, ou se ela não cabe em si. Afinal, qual o motivo de nascermos se vamos morrer?
Nascer, plantar uma árvore, e morrer... e Pronto?
Para que plantar uma árvore, se quando eu morrer um desconhecido vai arrancá-la e fazer cadeiras. Se pelo menos a arvore levasse meu nome, tipo “Pinheiro”. Interessante ficaria “Lopes, uma das árvores mais antigas do país”. Seria uma forma de perpetuação, assim teria algum sentido viver, pois a morte não seria tão vazia, tão solitária, tão finitude.
Imagino quando eu morrer, que algumas pessoas me velarão com expressões doloridas, outras tantas chorarão e mais umas tantas declararão um discurso de como fui uma ótima pessoa enquanto vivi (mesmo que em vida tivesse cometido algumas atrocidades).
E então, jogarão a terra sobre meus olhos cerrados, e por umas dezenas de anos irei sendo lembrada, cada vez mais languidas as lembranças, até que só se recordarão quando abrirem aquele velho álbum cheio de poeira e alguém reconhecer meu velho rosto roído. E assim, até que a ultima pessoa que se lembrar de mim, desaparecer também com o tempo... E assim com todos nós.
E mais uma vez me pergunto qual o motivo dessa nossa efêmera vida terrena, e eterna vida subterrânea. Os otimistas dirão que a vida é o motivo em si mesma, e que estamos aqui para viver.
Considero isso um tanto vago...um tanto vazio e sem propósito. Virar pó é aterrorizante de mais. Vida após a morte, incerto de mais. Uma das duas há de ser verdade, e creio eu que a segunda me parece mais agradável, destacando aqui que somente se for pra nascer em outro planeta, porque neste, definitivamente, daqui umas centenas de anos, não estou animada a morrer de sede, prefiro morrer de atropelamento, é mais promissor. Pelo menos posso imaginar que ainda vai existir mundo para meus antecedentes.
Enquanto penso, ouço as pessoas passarem nas ruas, rirem e se divertirem. E sem perceber, considerarem a vida auspiciosa. Digna de ser vivida. E ao mesmo tempo promissora.
Sei que não vou chegar a ponto algum tentando desvendar a vida (ou morte) a pós a morte. Sendo que ainda estou vivendo a vida. Será possivel viver a morte? Mas enquanto não encontro um caminho para minhas dúvidas, vou vivendo o momento da vida que vivo ( com bastante pleonasmo), sem querer chegar a um lugar que ainda não faz parte da minha vida. Viver faz parte da morte, e morrer faz parte da vida. Viver em si mesmo é utopia filosófica. Viver é mais do que só viver, é também morrer. Aquela mesma morte que dá vida as coisas, que deixa a semente, a fênix da nossa caminhada.
Se você for pra marte, para o pó ou voltar pra cá, e quer ser pra sempre. Sinto muito, é ilusório de mais. O que nos resta então é nos perpetuarmos em vida. Virar mártir não vai fazer de você lembrado pra sempre. Apenas viva para ser infinito para você mesmo, e não pense em ser eterno depois da morte, porque depois dela, a gente não sabe como é.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"O olhar é a morada do homem" já dizia Juvenal Arduini.


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Olhe nos meus olhos e saberá se está neles...

                              Olhe com respeito...

                                               Olhe com firmeza....

                                                          Olhe com sinceridade....

Se se perder estará ACOLHIDO...

                                                 Se encontrar-se SEMPRE terá o

caminho...

Saiba olhar...

O olhar pode
 esquentar
pode amar
pode acolher,
pode abraçar

pode aliviar...

E um olhar também pode machucar..
                                                      pode matar...
                                                                     pode destruir...
Quem olha  com alegria...

                             terá sempre a FELICIDADE nos olhos dos OUTROS...

                                                                                                 Quem olha o outro com desprezo,

                                                    será INVISIVEL aos olhos ALHEIOS..
Quem mata com o olhar...

É uma SUICIDA pois ve nos olhos do outro

a morte 
de
 SI 

 MESMO...

O olhar, 
Nada mais é


do que 


                                  um ESPELHO


que reflete no

                                    outro 

aquilo que somos



POR DENTRO.






terça-feira, 30 de agosto de 2011

Não sei metades


Não sei metades.
Não sei viver pela metade. Não sei amar pela metade. Não sei rir pela metade. Conservo minha clareza de criança. Cultivo meus poucos amigos.
Não me envolvo pela metade. Não blasfemo palavras de amor. Não invento carinhos que não existem. Não me importo com o tempo que se vive. Importo-me com as pessoas com quem vivo. Danem-se as regras. Quero o mundo e limito-me ao espaço do outro. Eu posso tudo a minha volta. E sei que por isso mesmo, os outros também podem esse é o ponto. Dali eu não passo porque não quero que ninguém ultrapasse o meu.
Não sei sonhar pela metade. Meus sonhos são infinitos até o dia em que eu quiser.
Não sei contar segredos pela metade. Eu sou inteira, e inteira serei para todos.
Não sei chorar pela metade. Quero sofrer até o mundo acabar. Para que se esgote, e que, em fim, eu possa recomeçar limpa.
Não sei sorrir pela metade. Dou o sorriso mais fundo que tiver. Ou não darei falsos sorrisos.
Não sei falar meias verdades. Não sei lutar por coisas ou pessoas que não sei se amo, pois sou responsável pelo que consigo, sejam empregos ou pessoas. E elas acreditam no que faço, se demonstro isso.
Não sei ser pela metade. Sempre magoaremos quem amamos, e sempre seremos magoados por quem amamos. Serei eu, e infelizmente cometerei erros, mas que os outros não sejam vistos por mim como uma tentativa, mas como seres humanos nos quais eu interfiro na vida e que interferem na minha.
Não sei mentir pela metade. Não sei usar pessoas como teste de “dar certo”, se a outra pessoa não souber disso e concordar.
Não sei me envolver pela metade. Ou se entrega ou não se entrega. Se não me entrego, não manipulo para que se entreguem a mim. Sentimentos tratados com displicência dão sensação de perda terrível.
Respeito meus sentimentos de tal forma que respeito o sentimento dos outros. Não vale a pena sempre dar sem receber.
Prefiro a solidão à machucar alguém por orgulho, irresponsabilidade, inconstância ou egoísmo. Por isso, não amo pela metade. Sou inteira para cada um, porque metades não se reconstroem, apenas continuam na infinita vontade de serem inteiras. Ruínas se limpam, e renascem, sempre.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Dedico a quem quiser ler

Um dia alguém inventou que queria escrever. Sempre tem alguém que gosta de inventar. E para se escrever precisava de se escrever sobre alguma coisa. Escreveram sobre números e sobre até mesmo como se escrever. Até que um dia alguém resolveu escrever sobre as historias que contavam. Historias que alguém, por sua vez, inventou. Historias sobre qualquer coisa. Ai, certa vez, alguém resolveu escrever sobre alguém, e como ele mesmo também era alguém, resolveu escrever sobre ele também.
Um dia esgotaram-se os “alguéns” para se escrever. E resolveram novamente inventar pessoas para se escrever sobre elas. Mas, inevitavelmente, essas pessoas inventadas levavam um pedaço de quem já existia, nem que fosse o nome ou um sorriso qualquer. Afinal, cada pessoa tem um pouco de alguém inventado, e tudo que é inventado leva um pedaço do seu inventor. A gente se inventa. Temos um pedaço do que inventamos.
Então, como é fatídico falar de mim e não estou animada a bisbilhotar a vida alheia para falar de alguém, resolvi inventar alguém. Que provavelmente deve ter um pedaço de mim e de mais um punhado de gente que nem sei quem é.